domingo, 3 de janeiro de 2010

A FELICIDADE EXISTE PARA QUEM SABE VIVER...


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Quando eu passei na prova prática, no Centro de Formação de Condutores e, enfim, pude me considerar apta para dirigir, portadora da tal CNH, eu digo que extravasei. A minha felicidade, naquele momento da aprovação, era impressionante. Shakespeare a emprestaria para retocar seus finais poéticos e Goethe ** a expressaria poeticamente. Peguei meu celular e a primeira ligação dediquei a minha mãe. Saí do DETRAN e fui encontrá-la, ali por perto. Eu estava excessivamente feliz. Ao entrar no carro, contei como havia me saído, como minhas pernas tremeram na tenebrosa baliza, como milagrosamente lembrei das setas, antes de estacionar... E olha que não parei longe, mas na exata distância de "um braço" do meio-fio. Eu estava contando os mínimos detalhes e a saga minuciosa de tentar entrar para o time. Dois minutos depois, passamos em frente a uma calçada e, no mais perfeito contraste, nos deparamos com uma família de conhecidos nossos, que haviam perdido absolutamente tudo, em um incêndio. A casa destas pessoas havia sido completamente destruída pelo fogo, no dia anterior. Minha mãe parou o carro, disse algumas palavras delicadas de consolo e saímos dali. Imediatamente, comecei a chorar. Naquela hora, confessei a ela que não era justo eu estar tão bem com uma simples carteira de motorista, enquanto uma família inteira sofria a dor de um acidente fatal às lembranças, histórias e toda a construção de um vida. Cruel, não? Minha mãe, com a filosofia na ponta da língua e a aquarela nas mãos, tratou de recolocar o conforto no exato âmago da minha alma, onde estava até então, com a MINHA aquisição, vitória. Ela disse o que parecia óbvio, senão nas palavras sinceras de uma mãe, em sintonia com que eu precisava ouvir: que, na vida, "as coisas são assim", sem a possibilidade de todos terem razões de sobra para as pazes com ela, ao mesmo tempo. Não me lembro exatamente, mas minha mãe quis dizer que "na vida, a gente tem que ENTENDER que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri" **. E eu também acho. Naturalmente, vamos nos revezando, sem sair distribuindo culpas pelos quatro cantos do mundo, e sabendo apreciar cada momento de alegria que nos é concedido, simplesmente por ser a NOSSA VEZ. Por quê não aprendermos a reconhecer a felicidade, de fato, e desfrutarmos da sua visita? Eu vou remando conforme a direção que a maré me leva, se for possível seguir a direção tão desejada, saberei que ali há felicidade. E onde me for oportuno, saberei ser FELIZ, na infinitude passageira **, enquanto durar... E você?

Um comentário:

Pri disse...

Pior que, além de cruel, nos vemos de mãos atadas, sem saber o que fazer, não é?
O Tim tinha muita razão.
Mas todo mundo tem a sua hora de ser feliz. Acredito nisso. E em Deus!
Por isso que sigo em frente. =***
PS: Me empresta um pouco dessa tua capacidade de escrever tão bem assim? rs